quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sobre o caráter ao eterno retorno de Nietzsche.

Pensava sobre caráter e regras da vida.
Ela vivera uma semana de tudo o que a intensidade poderia oferecer.
Em vão. Pessoas não mudam. O caráter não é uma massa a ser modelada.
Lembrou da ingenuidade dela enquanto criança. Enquanto massinhas simulavam sorvetes, brincos e pizzas.
Pensou na sua dor mais primordial, e quando anos mais tarde, continuou a permitir que afincassem facas na cicatriz.
Seria para lembrá-la que cicatrizes são marcas, ditadas pela experiência, para serem lembradas em situações de perigo?
Seria para mostrar que aquele lugar era sagrado, marcado, uma tatuagem em dor, sinalizar que ali era o único lugar a ser evitado, caso quisessem adentrar sua alma?
Ela sentia orgulho e sempre ostentou suas dores e amores.
Não temia o passado e o futuro era uma imagem nublada a ser desnuviada, ainda assim, recuava em relação à específica ferida. Cicatrizada, porém ferida.
Não havia um só band-aid no mundo capaz de conter o sangramento de agora.
Ela deixaria escorrer...
Escorrer... até o limite de suturar, costurar e formar uma nova casca, uma nova cicatriz.
Cicatriz acima da cicatriz.
Lembrou de Deus.
Suplicou a Ele Sua unção, antes que fosse tarde demais.
Nunca era tarde demais...
Fora impulsiva, indelicada, intrometida, num desfile de "ins" negativos...
Mas fora, sobretudo, seu Nome-Próprio. Seu Estilo. Sua Assinatura.
Sempre soubera ser a fênix, que renasce num eterno retorno...
Apesar de se recusar a aceitar a proposta de Nietzsche, romantizada por Kundera, ela não viveria o eterno retorno do mesmo.
Não se arrependia de minuto existido e vivido, pois seria negar sua essência.
Agora estava aberta ao novo, ao infinito, à espera daquele que há tanto a espera no próximo bloco.





Um comentário:

Gizelda disse...

Cicatrizada, porém ferida.
Não havia um só band-aid no mundo capaz de conter o sangramento de agora.
Ela deixaria escorrer...
Escorrer... até o limite de suturar, costurar e formar uma nova casca, uma nova cicatriz.
Cicatriz acima da cicatriz...

Essa sou eu, Vanessa, escancarada com maestria por você. Quem escreve esse texto não precisa de comentários, precisa de cumplicidade. É isso que estou fazendo aqui.Beijooooo.
Em tempo:
1-Que bom conhecer (? será?) a Pessoa capaz de dançar entre palavras e retirar delas o mel e o fel;
2- Quem sou eu para escolher o Top Ten da literatura!Mas, há dois livros que eu gostaria de ter escrito: O amor no tempo do cólera e O livro do Desassego, respectivamente, Garcia Marquez e F. Pessoa.