O Sapo e o Escorpião
Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio.
O escorpião vinha fazer um pedido:
"Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?"
O sapo respondeu: "Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralisado e vou afundar."
Disse o escorpião: "Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos."
Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio.
No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo.
Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: "Por quê? Por quê?"
E o escorpião respondeu: "Por que sou um escorpião e essa é a minha natureza."
Uma parábola africana "Capturado" na Página do Sábio www.geocities.com/~esabio/
terça-feira, 27 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Sobre amigos
..."Escolho meus amigos não pela pele, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito, nem os maus de hábitos, fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Quero que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só ombro ou colo, quero sua maior alegria, amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei que 'normalidade' é uma ilusão imbecil e estéril.... "
Oscar Wilde
A mim não interessam os bons de espírito, nem os maus de hábitos, fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Quero que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só ombro ou colo, quero sua maior alegria, amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei que 'normalidade' é uma ilusão imbecil e estéril.... "
Oscar Wilde
segunda-feira, 5 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
Seria uma mulher mais fria e distante, não fosse o cheiro que encontrou dentro do armário.
Prendeu todo o ar que coube em seus pulmões, como se assim pudesse permanecer dentro dela.
Havia um medo profundo que lhe escapasse essa paixão, essas lembranças...
Percebeu que precisaria lutar muito para deixar para trás.
E ressentiu por não conseguir amar o próximo.
Percebeu uma emoção na voz do amigo que lhe emocionou.
E sentiu muita saudade. Muita falta. E medo.
E sentiu na alma o sabor das comidas que costumava fazer.
Com o peito estupefato de lembranças doces, a mente carregada de fortes emoções,
abriu a porta, e passou por ela altiva.
Segura e amada.
Prendeu todo o ar que coube em seus pulmões, como se assim pudesse permanecer dentro dela.
Havia um medo profundo que lhe escapasse essa paixão, essas lembranças...
Percebeu que precisaria lutar muito para deixar para trás.
E ressentiu por não conseguir amar o próximo.
Percebeu uma emoção na voz do amigo que lhe emocionou.
E sentiu muita saudade. Muita falta. E medo.
E sentiu na alma o sabor das comidas que costumava fazer.
Com o peito estupefato de lembranças doces, a mente carregada de fortes emoções,
abriu a porta, e passou por ela altiva.
Segura e amada.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Minha Lista de Filmes
1) O Fabuloso Destino de Amelie Poulin - Jean Pierre Jeunet
2) Bonequinha de Luxo - Blake Edwards
3) Coco Antes de Chanel - Anne Fontaine
4) Grey Gardens - Ellen Hovde e Albert Maysles
5) Pulp Fiction - Quentin Tarantino
6) Quem quer ser um milionário? - Danny Boyle
7) A Vida é Bela - Roberto Benigni
8) Dogville - Lars von Trier
9) A Bela da Tarde - Luis Bunuel
10) V de Vingança - James McTeigue
11) O Diabo Veste Prada - David Frankel
12) Closer - Perto Demais - Mike Nichols
2) Bonequinha de Luxo - Blake Edwards
3) Coco Antes de Chanel - Anne Fontaine
4) Grey Gardens - Ellen Hovde e Albert Maysles
5) Pulp Fiction - Quentin Tarantino
6) Quem quer ser um milionário? - Danny Boyle
7) A Vida é Bela - Roberto Benigni
8) Dogville - Lars von Trier
9) A Bela da Tarde - Luis Bunuel
10) V de Vingança - James McTeigue
11) O Diabo Veste Prada - David Frankel
12) Closer - Perto Demais - Mike Nichols
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Ou a mulher não existe, ou ela é uma fantasia criada pelo masculino
A questão do feminino na psicanálise se apresentou a Freud desde o caso Dora (1905), onde ele começa a construir de que forma a mulher escolhe seu objeto amoroso. Depois, em Bate-se numa criança , texto de 1919, a gênese da perversão, ele começa a articular a posição do feminino com o masoquismo. No mesmo ano, temos Psicogênese de um caso de homossexualidade feminina, onde fala da escolha do objeto amoroso homossexual.
Para Freud, se nasce macho ou fêmea, mas torna-se homem ou mulher pelas identificações. Todo sexo é basicamente masculino e fálico e as diferenças se estabelecem pelo Édipo (a posição diante do ter ou não o falo). Ele vê o feminino como exceção ao masculino. Ser feminino é não-ser masculino.
Para Lacan, a lógica da vida amorosa é considerada de forma ainda mais complexa. Ele ultrapassou o ponto até onde Freud chegou, o falo como referência para a partilha sexual, e propõe uma outra lógica.
Lacan sugere que o amor da mulher seria erotomaníaco, termo introduzido por Clérambault: as mulheres não amam, mas desejam ser amadas. No amor erotomaníaco, a lógica do não todo predomina. A erotômana, em sua tentativa de estabelecer uma relação com o Outro absoluto, só pode situar-se na posição de produzir ela mesma, como objeto, um saber sobre o que se espera dela, ante a impossibilidade de se articular a partir do falo. Ela deseja ser amada por alguém superior, que não dá a ela qualquer importância. Como metáfora: a mulher se põe como necessariamente ser amada, a mulher se coloca estruturalmente frente ao homem na posição de ser amada pelo Outro. A mulher quer ser amada e para isso, ela veste uma máscara de toda, de fálica. Faz semblant daquilo que supõe que precisa para ser amada.
Já o amor do homem seria fetichista, mais determinado pela fantasia de recobrimento da falta do Outro, S (A). O sujeito masculino ama sua parceira “na medida em que o significante do falo a determina como sendo a que dá no amor o que ela não tem”. “O fetiche é o substituto do falo da mulher (da mãe), em cuja existência a criança pequena tinha a crença outrora e ao qual, sabemos porque não quer renunciar”
Lacan fala de forma fetichista do amor masculino porque o brilho fálico reveste a mulher como um véu, encobrindo a castração. O homem fetichiza a mulher ao preço de se eclipsar na sua fantasia.
O eixo disso é o falo.
A função da mulher é ser o falo, isto é, o que completa o homem. Ela serve para o homem negar sua castração, ou ainda, ela serve de véu para encobrir/velar sua castração . Se para Freud a mulher é um homem castrado e busca na maternidade a completude fálica, filho=pênis=falo, para o último Lacan – a partir do Seminário XX – há a especificidade do gozo feminino – um gozo exclusivo da mulher.
A teoria dos gozos é a que orienta a clínica lacaniana. A forma pela qual um sujeito, sexuado como homem ou com mulher, se coloca frente à castração e ao falo, é determinante para sua posição, masculina ou feminina. A forma pela qual o sujeito busca seu objeto amoroso. Objeto este que vem compensar a carência universal de forma parcial, compensatória para apoderar-se daquilo que Lacan chamou de “o Nome-do-Pai”.
Esse objeto outro, compensatório, que Lacan chama de “objeto a”, qualifica sempre uma alteridade, alguma coisa que está para além do sujeito desejante e que ele quer para si. Assim, quando esse “objeto a” se instala como função compensatória, tem-se de procurar sempre quem é esse “outro” que se coloca no lugar do desejo do sujeito.
Lacan começaria a pensar este conceito a partir da leitura de Luto e Melancolia de Freud. Ao se referir à pessoa que foi perdida e de quem se faz o luto, Freud escreve a palavra “objeto”, e não “pessoa”. Nota-se nesta gênese freudiana do conceito lacaniano a idéia de uma perda, de alguma coisa que não existe mais, de um fantasma do qual temos de fazer luto para nos libertarmos de sua lembrança.
O objeto desejante desenvolverá certa astúcia ao tentar aprisionar brevemente esse “objeto a” em alguma forma compensatória de satisfação, de gozo. Uma astúcia destinada a ser sempre uma compensação e que instaura apenas uma satisfação parcial, metonímica, diante do desejo. Portanto, uma relação de substituição que transformará todo “objeto a”, escolhido pelo sujeito desejante, num fantasma. E a maior fantasmagoria eleita pelo masculino será o feminino, visado como objeto de gozo total, impossível de ser completado.
Homens e mulheres realmente não são iguais na sua formação sexual, afinal, a escolha de objeto é sempre subjetiva e caso a caso, daí a relação sexual, simétrica, de completude não existir.
Por mais próxima que a mulher esteja do homem, ela é sempre invisível para ele, o que fará Lacan formar a frase: “A mulher não existe.” A mulher lhe escapa sempre. Na verdade, ela, como todo objeto de desejo, pertence à esfera desse “objeto a”, parcial, metonímico por definição, mas que consegue ancorar a pulsão do desejo por algum tempo. A mulher real e individual presente no ato sexual, representa, portanto, apenas uma possibilidade nessa série infinita que alucina o masculino.
O filme Closer – Perto Demais, do diretor Mike Nichols (do roteiro baseado na peça teatral homônima de Patrick Marber) pode ser utilizado como exemplo. Perto demais, a mulher torna-se ainda mais inexistente ao masculino.
O roteiro conta com personagens de profissões emblemáticas, que já definem o que acontecerá com o relacionamento dos amantes:
Dan é um jornalista encarregado da seção de obituários. Ele conta como os obituários são escritos para esconderem sempre a pessoa real. O que de fato as pessoas foram na vida não importa nos obituários. Mas sim, a visão edulcorada e elegante em que todos se transformam em pais amantíssimos, esposos fiéis e profissionais competentes, mesmo que tenham sido o oposto disso tudo. Ou seja, nem mesmo na morte, revelamos o que somos de fato. O falso obituário dos jornais incumbe-se de manter o distanciamento necessário da pessoa real. O obituário, que deveria revelar finalmente a pessoa, a mantém, agora, definitivamente distante.
Anna, por sua vez, é fotógrafa especializada em retratos de desconhecidos que ela retrata em grandes closes. Rostos anônimos, mas ela os exibe em grande proximidade, em grandes ampliações. Mesmo com tal exposição ampliada, eles continuam desconhecidos. É uma falsa aproximação. Rostos próximos demais. Tão desconhecidos quanto os das mulheres quando elas se apresentam para os homens que pensam que as vêm por inteiro e acreditam que elas são o que estão vendo.
Larry é medico dermatologista. Perto demais do corpo das pessoas. Próximo da pele. Mas nunca além. O dermatologista se detém na epiderme das pessoas, nunca ultrapassando o limite externo do corpo. Nunca penetrando realmente no âmago do paciente. Sempre na epiderme, nesta exterioridade que nos delimita do interior. Assim será também em seus relacionamentos com o feminino. Nunca indo além da sexualidade explícita. Não é à toa que será ele quem exigirá tudo da stripper. Visão total. Mesmo assim, ele não conseguirá ir além da epiderme ginecológica da mulher.
Jane, por sua vez, é a stripper que se dá totalmente ao olhar masculino. Olhar que nunca consegue ir além do seu corpo em exibição, da sua epiderme. Pertos demais do seu corpo nu, os olhares masculinos estão sempre longe demais dela como mulher. Ela é a que encerra, em sua profissão, o paradoxo dessas relações íntimas que estão sempre à distância. Ela é um “objeto a” por excelência, pois oferece seu corpo como objeto parcial de um desejo nunca realizado.
Jane, desde seu primeiro encontro com Dan, usa um nome falso – Alice Ayres. O relacionamento dos dois já começa com uma Alice que não existe. A primeira frase que ela diz a Dan é: Hello, stranger! (Olá, estranho!).
A cena em que os dos dois homens acessam a internet, numa dessas salas de encontro, e um deles finge ser uma mulher. O namoro virtual logo descamba para uma espécie de sexo virtual. O que mostra que para o homem basta que ele tenha um projeção de mulher em sua mente para que tudo funcione e a relação sexual se faça.
Afinal, tudo não passa mesmo de uma fantasmagoria masculina.
Talvez, a cena em que mais se revele essa fissura entre homem e mulher seja a do clube noturno onde Alice/Jane faz strip-tease.
Essa mulher que se despe completamente para os olhares de estranhos que estariam tão próximos dela, quando se estaria no momento de aproximação máxima, é justamente quando ela fica mais distante, num simulacro inatingível de desejo e de fantasia.
No clube, Larry, pede para vê-la totalmente nua e ainda paga para que ela exiba suas partes íntimas, da maneira mais crua. Aproximação visual máxima que não preenche seus desejos. Ele também paga para que ela lhe revele seu verdadeiro nome. Ela diz. Mas ele pensa que ela mente. Ele nunca saberá o que as mulheres são, portanto, tanto faz seu nome verdadeiro.
Nuas ou perto demais (em closes), elas são sempre invisíveis ao masculino.
Perto demais do feminino é sempre muito longe para o masculino.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Ele olhou para ela com olhar arrependido.
Ela olhou para ele com olhar de compaixão.
Pois ela lhe dera a liberdade. Ele a usou.
Ele odiou que ela lhe libertara, embora tenha resolvido cumprir o contrato.
Ela, de longe, testemunhou.
Duvidava que seria feliz.
Pouco importa.
Ela mantinha, passiva, sua capacidade de amar.
Amava no intransitivo, e por ser assim, poderia continuar sendo feliz.
Ela poderia seguir amando. Como Neruda.
Ele conhecia apenas Vinícius.
Ela era capaz de amar seu scoth como amava o amor de sua vida.
Era única.
Deu-lhe um beijo apaixonado.
Depois, saiu.
Queria seguir sua vida e acendeu um cigarro.
Tomou o último trago e passou pela porta.
Ele a amava como Chico, o Buarque.
Ela o amava como Elis, a Regina.
Ela olhou para ele com olhar de compaixão.
Pois ela lhe dera a liberdade. Ele a usou.
Ele odiou que ela lhe libertara, embora tenha resolvido cumprir o contrato.
Ela, de longe, testemunhou.
Duvidava que seria feliz.
Pouco importa.
Ela mantinha, passiva, sua capacidade de amar.
Amava no intransitivo, e por ser assim, poderia continuar sendo feliz.
Ela poderia seguir amando. Como Neruda.
Ele conhecia apenas Vinícius.
Ela era capaz de amar seu scoth como amava o amor de sua vida.
Era única.
Deu-lhe um beijo apaixonado.
Depois, saiu.
Queria seguir sua vida e acendeu um cigarro.
Tomou o último trago e passou pela porta.
Ele a amava como Chico, o Buarque.
Ela o amava como Elis, a Regina.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Depois de passados alguns dias, impediu-se de ver a realidade.
Disse ser demasiado doloroso pensar naquilo que desejava e não podia ter.
Mudanças soaram difíceis, embora o calor não saísse de seu corpo, por mais que estivesse brindando com um copo de whisky no Alasca.
O homem contou tudo isso, e por mais que viajasse à prazo pro inferno, um dia voltaria.
Precisou viver sua vida. Ter seus filhos. Comer o último pedaço do bolo de aniversário.
Beijou tanto aquela criança que desejou ter uma tão especial.
Isso sim poderia ser classificado como amor, pois não havia ciúmes e nem competição.
Quando o navio aportou no Alasca percebeu que a vela que tanto tentou apagar se tornara fogueira, embora sua vaidade impedisse de assumir para si que precisava mais do que suspeitara.
A paixão voltou a fazer falta em sua vida.
A paixão estava consumindo suas vísceras e não conseguia fugir disso. Mesmo no Alasca.
Mas por enquanto não tinha forças para voltar.
Nem para dizer palavra.
Procurou desviar dos icebergs e em sua cabeça, a lembrança da noite derradeira era tão devastadora quanto a baleia que insistia em brincar com o barco.
Sentiu-se claudicante por negar-se.
Por negar o mais verdadeiro e pulsante em si.
Não imaginou o quanto seu silêncio era devastador.
O quanto apunhalava um coração, golpe a golpe.
Estava no Alasca embora seu sangue implorasse por terras mais quentes. Cálidas.
Precisava sucumbir seu coração ao frio.
Acreditar que comparado à Vinicius, aquilo que sentira fora mais-amor.
Fez um rápido cálculo matemático e percebeu que o futuro estava próximo do presente, e que as palavras do homem em breve se concretizariam.
Estaria no café combinado, às 17 horas, em Marrakesh.
Disse ser demasiado doloroso pensar naquilo que desejava e não podia ter.
Mudanças soaram difíceis, embora o calor não saísse de seu corpo, por mais que estivesse brindando com um copo de whisky no Alasca.
O homem contou tudo isso, e por mais que viajasse à prazo pro inferno, um dia voltaria.
Precisou viver sua vida. Ter seus filhos. Comer o último pedaço do bolo de aniversário.
Beijou tanto aquela criança que desejou ter uma tão especial.
Isso sim poderia ser classificado como amor, pois não havia ciúmes e nem competição.
Quando o navio aportou no Alasca percebeu que a vela que tanto tentou apagar se tornara fogueira, embora sua vaidade impedisse de assumir para si que precisava mais do que suspeitara.
A paixão voltou a fazer falta em sua vida.
A paixão estava consumindo suas vísceras e não conseguia fugir disso. Mesmo no Alasca.
Mas por enquanto não tinha forças para voltar.
Nem para dizer palavra.
Procurou desviar dos icebergs e em sua cabeça, a lembrança da noite derradeira era tão devastadora quanto a baleia que insistia em brincar com o barco.
Sentiu-se claudicante por negar-se.
Por negar o mais verdadeiro e pulsante em si.
Não imaginou o quanto seu silêncio era devastador.
O quanto apunhalava um coração, golpe a golpe.
Estava no Alasca embora seu sangue implorasse por terras mais quentes. Cálidas.
Precisava sucumbir seu coração ao frio.
Acreditar que comparado à Vinicius, aquilo que sentira fora mais-amor.
Fez um rápido cálculo matemático e percebeu que o futuro estava próximo do presente, e que as palavras do homem em breve se concretizariam.
Estaria no café combinado, às 17 horas, em Marrakesh.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Novela também é denso... rs
Tudo na vida passa, porém algumas coisas marcam...
E essas que marcam não podemos simplesmente deixarem passar como se nada tivesse acontecido.
É possível provocar um afastamento dos corpos, todavia as almas não se afastem jamais.
E essas que marcam não podemos simplesmente deixarem passar como se nada tivesse acontecido.
É possível provocar um afastamento dos corpos, todavia as almas não se afastem jamais.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Sobre os desejos para 2010
- ler pelo menos um livro por mês
- encontrar mais as pessoas que pouco vi em 2009
- trabalhar como se fosse um hobby
- fazer aulas de canto
- fazer aulas de dança
- inserir novamente a magia na vida
- tomar menos coca, ainda que light ou zero
- emagrecer
- continuar o caminho que venho trilhando desde o final de 2008
- dar menos importâcia ao passado, viver o presente intensamente e não fazer projetos sólidos demais para o fututo
- começar de uma vez por todas a ticckar a lista de filmes que quero assistir
- encontrar mais as pessoas que pouco vi em 2009
- trabalhar como se fosse um hobby
- fazer aulas de canto
- fazer aulas de dança
- inserir novamente a magia na vida
- tomar menos coca, ainda que light ou zero
- emagrecer
- continuar o caminho que venho trilhando desde o final de 2008
- dar menos importâcia ao passado, viver o presente intensamente e não fazer projetos sólidos demais para o fututo
- começar de uma vez por todas a ticckar a lista de filmes que quero assistir
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Nunca gostou de livros meramente descritivos.
Dizia que eram chatos e que era pura perda de tempo se prender a detalhes que pouco importavam no final das contas, uma vez que história é história.
Levantou-se com uma leve irritação. Mal humor presente.
Lembrou de alguns anos passados, e trouxe os mesmos sorrisos para o presente.
Havia uma música de batidas constantes, com um triângulo batendo no fundo.
Dançou, mesmo sem saber dançar.
Lembrou dos olhos, do sabor de uma dose de whisky cujo gelo já havia derretido, do braço envolvendo a cintura. Do perfume amadeirado que exalava de sua pele,
Dos gestos canhotos que a faziam rodopiar.
Sentira as descobertas do que no futuro fariam suas bases tremerem.
Fora tudo muito leve e muito intenso. As trocas, os sorrisos, as garfadas. Tudo havia se congelado no tempo.
A imagem das pernas cruzadas de forma tão masculina.
O jeito de mexer em seus cabelos, de assoprar em seu ouvido esquerdo.
O jantar estava pronto, porém não foi servido. Estava aguardando as garrafas de vinho tinto se esvaziarem e num momento posterior, os corpos se encherem. De prazer finito.
Era uma despedida. Nunca um adeus.
Sabe-se lá quando essas cenas se tornariam reais. Eram quase oníricas.
Feliz. Demasiada e obcenamente feliz.
O dia amanheceu e com ele as memórias foram guardadas dentro da caixa musicada.
E dia após dia, o que não fora guardado, fora escrito em metáforas.
E o que não foi escrito, foi dito. Entre um chopp e outro, numa esquina que poderia ser uma qualquer, não fosse sua presença.
Seus olhos rodopiaram, e recebeu cada palavra com uma dignidade de poucos. Sim, foi capaz de reconhecer verdade em cada uma delas, e admitiu que já percebera o sentido de tudo aquilo em uma outra ocasião.
Ainda que naquele momento não estivessem prontos, acendeu um cigarro e olhou com uma certa malícia de quem se sente pouco à vontade.
Tomou o último gole, sozinho no fundo do copo, e pediu a nota. Ao chegar no carro, abriu a porta, fez um curto caminho (por que o caminho não poderia ser mais longo?), e despediu-se novamente.
Não era um adeus. Era uma despedida.
Aquela noite foi decisiva. A partir de então pudera ter certeza entre o moral e o profano.
E já havia tomado sua decisão, ainda que os outros a desconhecesse.
Nunca mais pôde evitar dialogar aos 4 ventos, falando consigo, fingindo ter alguém tão próximo.
Havia a barreira da realidade. Aliás, haviam duas realidades, e só foi esse fato que impediu a completa insensatez de sua conduta.
Não sem sanidade, apenas descobrira como não evitar o que era vida.
Logo depois, foi atendida e recebeu alta.
Conhecia mais de si que qualquer um. Nunca mais ignoraria aquelas duras lições de amor, de afeto, de bondade, ainda que se machucasse.
Ainda que para isso precisasse contar à pessoa de quem nunca mais tivera notícia que ela fora traída.
Não por vingança. Por puro desejo de limpar sua trajetória e poder começar do zero.
Sentia tanta falta da família e foi incapaz de fazer aquele telefonema.
Teria que pedir por mais lâminas para analisar sua essência, mas agora estava por conta própria.E saiu radiante com sua mais nova conquista: a identidade.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Entre analisar o tempo e me fazer cientista de minha história,
Descobri coisas maravilhosas que são causas de meus piores pesadelos.
Não sinto mais a ansiedade de outrora, pois descobri meu tempo, meu lugar, meu estilo.
Sou assim mesmo, afirmo e nego os desejos mais intrínsecos.
Quero minh´alma pulsando ritmicamente em sua respiração.
Quero o choro calado da emoção que me impede de dizer o quanto sinto.
Desejo ao longo das 4 estações. Desde já, do recém inaugurado ano NOVO.
Quero florir teu riso e gelar teu pranto.
Aquecendo sua paixão, não importa o quanto tempo o tempo dure.
Sim, eu posso sentir sua entrega quando você a faz. No olhar... no beijo... num simples afago.
Quero te agradecer!
Agradeço tanto sua contribuição por estar tão perto do que eu sou!
Por estar aqui comigo, mesmo em suas ausências...
Porque você rouba alguns de meus mais sublimes sorrisos...
Descobri coisas maravilhosas que são causas de meus piores pesadelos.
Não sinto mais a ansiedade de outrora, pois descobri meu tempo, meu lugar, meu estilo.
Sou assim mesmo, afirmo e nego os desejos mais intrínsecos.
Quero minh´alma pulsando ritmicamente em sua respiração.
Quero o choro calado da emoção que me impede de dizer o quanto sinto.
Desejo ao longo das 4 estações. Desde já, do recém inaugurado ano NOVO.
Quero florir teu riso e gelar teu pranto.
Aquecendo sua paixão, não importa o quanto tempo o tempo dure.
Sim, eu posso sentir sua entrega quando você a faz. No olhar... no beijo... num simples afago.
Quero te agradecer!
Agradeço tanto sua contribuição por estar tão perto do que eu sou!
Por estar aqui comigo, mesmo em suas ausências...
Porque você rouba alguns de meus mais sublimes sorrisos...
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Parece que persegue.
Por mais que corra, o bicho está sempre atrás.
Definitivamente não sei perdoar... Não aprendi esse capítulo cristão!
E nada mais cristão que Natal. Mais humano. Mais depressivo.
Talvez seja por isso que sua presença anda me rondando.
Antes era mais assustadora, devastadora.
Agora, de uma forma mais simples e coloquial, é apenas dolorida.
Dói muito pensar no tanto que me entreguei.
No quanto trocamos distintas formas de intensidade.
Dói pensar, especificamente, no quanto confiei.
Confiei na mesma proporção que confio em mim,
e você sabe o que isso significa (pelo menos, conhece minha prepotência).
Você viu cada lágrima de minha angústia,
enterrou comigo vários cadáveres...
Ouviu minhas mais alegres risadas.
Isso nada importa agora.
Pois você está longe, e é exatamente aí que prefiro que fique.
Você roubou parte de minha fé nas pessoas.
Me fez sentir vergonha de minha generosidade.
Trouxe à tona o pior de mim, e só por isso tenho condições de agradecer.
Se descobri ser feliz com meu pior, imagine só...
***
Agora tudo tem outra forma.
Escolher, e não ser escolhida.
Amar, ainda sem ser amado.
Ser agente ativo.
Mergulhar no mundo, como se ele fosse real.
Sair pela porta dos fundo,
atravessando a sala de queixo pro ar!!!
***
Estou sentindo a felicidade me consumir...
Por mais que corra, o bicho está sempre atrás.
Definitivamente não sei perdoar... Não aprendi esse capítulo cristão!
E nada mais cristão que Natal. Mais humano. Mais depressivo.
Talvez seja por isso que sua presença anda me rondando.
Antes era mais assustadora, devastadora.
Agora, de uma forma mais simples e coloquial, é apenas dolorida.
Dói muito pensar no tanto que me entreguei.
No quanto trocamos distintas formas de intensidade.
Dói pensar, especificamente, no quanto confiei.
Confiei na mesma proporção que confio em mim,
e você sabe o que isso significa (pelo menos, conhece minha prepotência).
Você viu cada lágrima de minha angústia,
enterrou comigo vários cadáveres...
Ouviu minhas mais alegres risadas.
Isso nada importa agora.
Pois você está longe, e é exatamente aí que prefiro que fique.
Você roubou parte de minha fé nas pessoas.
Me fez sentir vergonha de minha generosidade.
Trouxe à tona o pior de mim, e só por isso tenho condições de agradecer.
Se descobri ser feliz com meu pior, imagine só...
***
Agora tudo tem outra forma.
Escolher, e não ser escolhida.
Amar, ainda sem ser amado.
Ser agente ativo.
Mergulhar no mundo, como se ele fosse real.
Sair pela porta dos fundo,
atravessando a sala de queixo pro ar!!!
***
Estou sentindo a felicidade me consumir...
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Black out
Foi só acabar a luz na cidade para minha porção Mac Gyver aflorar... e assim arrombar com um par de grampos uma fechadura que me impedia a liberdade.
Mas a escuridão, ao contrário, não trouxe liberdade e sim aprisionamento.
Aprisionou meus medos numa caverna terrivelmente quieta e escura, como o silêncio que pousava sobre o exterior.
Foi incrível me permitir perigar por entre as curvas da vida.
Deixar o carro andar no automático, sem farol. Sem lei.
O pior foi perceber que só seria possível relaxar e dormir, quando tudo voltasse à agitação.
Mas a escuridão, ao contrário, não trouxe liberdade e sim aprisionamento.
Aprisionou meus medos numa caverna terrivelmente quieta e escura, como o silêncio que pousava sobre o exterior.
Foi incrível me permitir perigar por entre as curvas da vida.
Deixar o carro andar no automático, sem farol. Sem lei.
O pior foi perceber que só seria possível relaxar e dormir, quando tudo voltasse à agitação.
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