Então, hoje fora marcada pela presença.
Ainda que na distância física, ela chamou seu nome e pareceu ouvir algo mais do que ecos.
Se deu conta que tudo o que sentia era apenas afeto esparramado no vazio.
Percebeu que por mais importante que fosse, existiria sempre algo a mais.
(Procurou esse conceito do a Mais, e o que encontrou em Lacan, só a confundiu mais ainda).
Se o que sentira fora sacanagem ou afeto, o tempo haverá de confirmar depois.
Esses espasmos sempre se deram après cours, em noites mal-dormidas, o seriado martelando suas entranhas, a imagem do Pai presente em cada cena.
As cortinas desceram, o palco ficou vazio, e só então fora capaz de perceber que a pior solidão que poderia sentir seria a da própria companhia.
Isso lhe deu força. Se amava como poucos. Não de um amor arrogante, pedante ou auto-idolatra.
Pois reconhecia quem era e o que desejava.
Se amava de uma forma mais sobrevivente. Encorajadora. Digna.
Descobrira que ter seu valor era algo conquistado, que não poderá ser arrancado junto com a máscara.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
A Bailarina - Cecilia Meireles
Esta menina tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
in Ou isto ou aquilo, Ed. Nova Fronteira
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
in Ou isto ou aquilo, Ed. Nova Fronteira
segunda-feira, 3 de maio de 2010
A Alma Imoral
A Alma imoral, texto de Nilton Bonder, adaptado e encenado por Clarice Niskier gratifica pela forma.
Pelo conteúdo, pela interpretação sem dramatização.Pela coragem de expor a alma na epiderme...
Vestindo seu corpo da nudez da imoralidade.
Imoralidade absoluta.
Sem clichês baratos, frases prontas, falsos testemunhos.
Só a alma ex-posta.
Sem uso do autor para justificar atos próprios.
Indubitavelmente,
Na imoralidade há um código.No Teatro Augusta, sextas, sábados e domingos.
http://www.teatroaugusta.com.br/
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Aquilo que não mata, fortalece.
Inteligência, beleza, magreza...
Predicados parciais que dependem dos olhos de quem vê.
Futilidade é julgamento, e isto, pra mim, não serve!
Confrontos podem ser encarados como obstáculos.
Alguns pulam, outros contornam, há quem volte e quem fica aflito.
Depende do condicionamento do gladiador em questão.
De todo modo, há confrontos que fortalecem ou enfraquecem, assim como o mesmo vento que alimenta uma fogueira, apaga uma vela.
E se o olhar de fora vê como um contentar-se com pouco,
melhor continuar no afastamento mesmo.
Predicados parciais que dependem dos olhos de quem vê.
Futilidade é julgamento, e isto, pra mim, não serve!
Confrontos podem ser encarados como obstáculos.
Alguns pulam, outros contornam, há quem volte e quem fica aflito.
Depende do condicionamento do gladiador em questão.
De todo modo, há confrontos que fortalecem ou enfraquecem, assim como o mesmo vento que alimenta uma fogueira, apaga uma vela.
E se o olhar de fora vê como um contentar-se com pouco,
melhor continuar no afastamento mesmo.
terça-feira, 27 de abril de 2010
AMIZADE VERDADEIRA
Pítias, condenado à morte pelo tirano Dionísio, passava na prisão os seus últimos dias.
Dizia não temer a morte, mas como explicar que seus olhos se enchessem de lágrimas
ao ver o caminho que se abria diante das grades da prisão? Sim, era a dura lembrança dos velhos pais! Era ele o arrimo e o consolo deles. Não mais suportando,
um dia Pítias disse ao tirano: - Permita-me ir à casa abraçar meus pais e resolver
meus negócios. Estarei de volta em quatro dias, sem acrescentar nem uma hora a mais.
- Como posso acreditar na sua promessa? Os caminhos são desertos.
O que você quer mesmo é fugir - respondeu Dionísio, irônica e zombeteiramente.
- Senhor, é preciso que eu vá. Meus pais estão velhinhos e só contam comigo para
se defenderem - insistiu Pítias com o olhar nublado de lágrimas.
Vendo que o tirano se mantinha irredutível, Damon, jovem e amigo de Pítias,
interveio propondo:
- Conceda a licença que meu amigo pede; conheço seus pais e sei que carecem
da ajuda do filho. Deixe-o partir e garanto sua volta dentro dos dias previstos,
sem faltar uma hora, para lhe entregar a cabeça.
A resposta foi um não categórico. Compreendendo o sofrimento do amigo,
Damon propôs ficar na prisão em lugar de Pítias e morreria no lugar dele se
necessário fosse. O tirano, surpreendido, aceitou a proposta e depois de um
prolongado abraço no amigo, Pítias partiu.
O dia marcado para sua execução amanheceu ensolarado. As horas passavam
céleres e a guarda já se mostrava inquieta. Entretanto, Damon procurava restabelecer
a calma, garantindo que o amigo chegaria em tempo. Finalmente chegara a hora da execução. Os guardas tiraram os grilhões dos pés de Damon e
o conduziram à praça, onde a multidão acompanhava em silêncio a cada um dos
seus passos. Subiu, então, ao cadafalso.
Uma estranha agitação levou a multidão a prorromper em gritos.
Era Pítias que chegava exausto e quase sem fôlego.
Porém, rompendo a multidão, galgou os degraus do cadafalso, onde,
abraçando o amigo, entregou-se ao carrasco sem o menor pavor.
Os soluços da multidão comovida chegaram aos ouvidos do tirano.
Este, pondo-se de pé em sua tribuna, para melhor se convencer da cena que
acabava de acontecer na praça, levantou as mãos e bradou com firmeza:
- Parem imediatamente com a execução! Esses dois jovens são dignos do amor dos homens de bem, porque sabem o quanto custa a palavra. Eles provaram saber o
quanto vale a honra e o bom nome! Descendo imediatamente daquela
tribuna, dirigiu-se a Pítias e a Damon. Dionísio estava perplexo e os abraçando comovidamente, lhes falou: - Eu daria tudo para ter amigos como vocês!
Fabulas - Parte 1
O Sapo e o Escorpião
Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio.
O escorpião vinha fazer um pedido:
"Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?"
O sapo respondeu: "Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralisado e vou afundar."
Disse o escorpião: "Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos."
Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio.
No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo.
Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: "Por quê? Por quê?"
E o escorpião respondeu: "Por que sou um escorpião e essa é a minha natureza."
Uma parábola africana "Capturado" na Página do Sábio www.geocities.com/~esabio/
Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio.
O escorpião vinha fazer um pedido:
"Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?"
O sapo respondeu: "Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralisado e vou afundar."
Disse o escorpião: "Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos."
Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio.
No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo.
Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: "Por quê? Por quê?"
E o escorpião respondeu: "Por que sou um escorpião e essa é a minha natureza."
Uma parábola africana "Capturado" na Página do Sábio www.geocities.com/~esabio/
terça-feira, 13 de abril de 2010
Sobre amigos
..."Escolho meus amigos não pela pele, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito, nem os maus de hábitos, fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Quero que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só ombro ou colo, quero sua maior alegria, amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei que 'normalidade' é uma ilusão imbecil e estéril.... "
Oscar Wilde
A mim não interessam os bons de espírito, nem os maus de hábitos, fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Quero que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só ombro ou colo, quero sua maior alegria, amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei que 'normalidade' é uma ilusão imbecil e estéril.... "
Oscar Wilde
segunda-feira, 5 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
Seria uma mulher mais fria e distante, não fosse o cheiro que encontrou dentro do armário.
Prendeu todo o ar que coube em seus pulmões, como se assim pudesse permanecer dentro dela.
Havia um medo profundo que lhe escapasse essa paixão, essas lembranças...
Percebeu que precisaria lutar muito para deixar para trás.
E ressentiu por não conseguir amar o próximo.
Percebeu uma emoção na voz do amigo que lhe emocionou.
E sentiu muita saudade. Muita falta. E medo.
E sentiu na alma o sabor das comidas que costumava fazer.
Com o peito estupefato de lembranças doces, a mente carregada de fortes emoções,
abriu a porta, e passou por ela altiva.
Segura e amada.
Prendeu todo o ar que coube em seus pulmões, como se assim pudesse permanecer dentro dela.
Havia um medo profundo que lhe escapasse essa paixão, essas lembranças...
Percebeu que precisaria lutar muito para deixar para trás.
E ressentiu por não conseguir amar o próximo.
Percebeu uma emoção na voz do amigo que lhe emocionou.
E sentiu muita saudade. Muita falta. E medo.
E sentiu na alma o sabor das comidas que costumava fazer.
Com o peito estupefato de lembranças doces, a mente carregada de fortes emoções,
abriu a porta, e passou por ela altiva.
Segura e amada.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Minha Lista de Filmes
1) O Fabuloso Destino de Amelie Poulin - Jean Pierre Jeunet
2) Bonequinha de Luxo - Blake Edwards
3) Coco Antes de Chanel - Anne Fontaine
4) Grey Gardens - Ellen Hovde e Albert Maysles
5) Pulp Fiction - Quentin Tarantino
6) Quem quer ser um milionário? - Danny Boyle
7) A Vida é Bela - Roberto Benigni
8) Dogville - Lars von Trier
9) A Bela da Tarde - Luis Bunuel
10) V de Vingança - James McTeigue
11) O Diabo Veste Prada - David Frankel
12) Closer - Perto Demais - Mike Nichols
2) Bonequinha de Luxo - Blake Edwards
3) Coco Antes de Chanel - Anne Fontaine
4) Grey Gardens - Ellen Hovde e Albert Maysles
5) Pulp Fiction - Quentin Tarantino
6) Quem quer ser um milionário? - Danny Boyle
7) A Vida é Bela - Roberto Benigni
8) Dogville - Lars von Trier
9) A Bela da Tarde - Luis Bunuel
10) V de Vingança - James McTeigue
11) O Diabo Veste Prada - David Frankel
12) Closer - Perto Demais - Mike Nichols
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Ou a mulher não existe, ou ela é uma fantasia criada pelo masculino
A questão do feminino na psicanálise se apresentou a Freud desde o caso Dora (1905), onde ele começa a construir de que forma a mulher escolhe seu objeto amoroso. Depois, em Bate-se numa criança , texto de 1919, a gênese da perversão, ele começa a articular a posição do feminino com o masoquismo. No mesmo ano, temos Psicogênese de um caso de homossexualidade feminina, onde fala da escolha do objeto amoroso homossexual.
Para Freud, se nasce macho ou fêmea, mas torna-se homem ou mulher pelas identificações. Todo sexo é basicamente masculino e fálico e as diferenças se estabelecem pelo Édipo (a posição diante do ter ou não o falo). Ele vê o feminino como exceção ao masculino. Ser feminino é não-ser masculino.
Para Lacan, a lógica da vida amorosa é considerada de forma ainda mais complexa. Ele ultrapassou o ponto até onde Freud chegou, o falo como referência para a partilha sexual, e propõe uma outra lógica.
Lacan sugere que o amor da mulher seria erotomaníaco, termo introduzido por Clérambault: as mulheres não amam, mas desejam ser amadas. No amor erotomaníaco, a lógica do não todo predomina. A erotômana, em sua tentativa de estabelecer uma relação com o Outro absoluto, só pode situar-se na posição de produzir ela mesma, como objeto, um saber sobre o que se espera dela, ante a impossibilidade de se articular a partir do falo. Ela deseja ser amada por alguém superior, que não dá a ela qualquer importância. Como metáfora: a mulher se põe como necessariamente ser amada, a mulher se coloca estruturalmente frente ao homem na posição de ser amada pelo Outro. A mulher quer ser amada e para isso, ela veste uma máscara de toda, de fálica. Faz semblant daquilo que supõe que precisa para ser amada.
Já o amor do homem seria fetichista, mais determinado pela fantasia de recobrimento da falta do Outro, S (A). O sujeito masculino ama sua parceira “na medida em que o significante do falo a determina como sendo a que dá no amor o que ela não tem”. “O fetiche é o substituto do falo da mulher (da mãe), em cuja existência a criança pequena tinha a crença outrora e ao qual, sabemos porque não quer renunciar”
Lacan fala de forma fetichista do amor masculino porque o brilho fálico reveste a mulher como um véu, encobrindo a castração. O homem fetichiza a mulher ao preço de se eclipsar na sua fantasia.
O eixo disso é o falo.
A função da mulher é ser o falo, isto é, o que completa o homem. Ela serve para o homem negar sua castração, ou ainda, ela serve de véu para encobrir/velar sua castração . Se para Freud a mulher é um homem castrado e busca na maternidade a completude fálica, filho=pênis=falo, para o último Lacan – a partir do Seminário XX – há a especificidade do gozo feminino – um gozo exclusivo da mulher.
A teoria dos gozos é a que orienta a clínica lacaniana. A forma pela qual um sujeito, sexuado como homem ou com mulher, se coloca frente à castração e ao falo, é determinante para sua posição, masculina ou feminina. A forma pela qual o sujeito busca seu objeto amoroso. Objeto este que vem compensar a carência universal de forma parcial, compensatória para apoderar-se daquilo que Lacan chamou de “o Nome-do-Pai”.
Esse objeto outro, compensatório, que Lacan chama de “objeto a”, qualifica sempre uma alteridade, alguma coisa que está para além do sujeito desejante e que ele quer para si. Assim, quando esse “objeto a” se instala como função compensatória, tem-se de procurar sempre quem é esse “outro” que se coloca no lugar do desejo do sujeito.
Lacan começaria a pensar este conceito a partir da leitura de Luto e Melancolia de Freud. Ao se referir à pessoa que foi perdida e de quem se faz o luto, Freud escreve a palavra “objeto”, e não “pessoa”. Nota-se nesta gênese freudiana do conceito lacaniano a idéia de uma perda, de alguma coisa que não existe mais, de um fantasma do qual temos de fazer luto para nos libertarmos de sua lembrança.
O objeto desejante desenvolverá certa astúcia ao tentar aprisionar brevemente esse “objeto a” em alguma forma compensatória de satisfação, de gozo. Uma astúcia destinada a ser sempre uma compensação e que instaura apenas uma satisfação parcial, metonímica, diante do desejo. Portanto, uma relação de substituição que transformará todo “objeto a”, escolhido pelo sujeito desejante, num fantasma. E a maior fantasmagoria eleita pelo masculino será o feminino, visado como objeto de gozo total, impossível de ser completado.
Homens e mulheres realmente não são iguais na sua formação sexual, afinal, a escolha de objeto é sempre subjetiva e caso a caso, daí a relação sexual, simétrica, de completude não existir.
Por mais próxima que a mulher esteja do homem, ela é sempre invisível para ele, o que fará Lacan formar a frase: “A mulher não existe.” A mulher lhe escapa sempre. Na verdade, ela, como todo objeto de desejo, pertence à esfera desse “objeto a”, parcial, metonímico por definição, mas que consegue ancorar a pulsão do desejo por algum tempo. A mulher real e individual presente no ato sexual, representa, portanto, apenas uma possibilidade nessa série infinita que alucina o masculino.
O filme Closer – Perto Demais, do diretor Mike Nichols (do roteiro baseado na peça teatral homônima de Patrick Marber) pode ser utilizado como exemplo. Perto demais, a mulher torna-se ainda mais inexistente ao masculino.
O roteiro conta com personagens de profissões emblemáticas, que já definem o que acontecerá com o relacionamento dos amantes:
Dan é um jornalista encarregado da seção de obituários. Ele conta como os obituários são escritos para esconderem sempre a pessoa real. O que de fato as pessoas foram na vida não importa nos obituários. Mas sim, a visão edulcorada e elegante em que todos se transformam em pais amantíssimos, esposos fiéis e profissionais competentes, mesmo que tenham sido o oposto disso tudo. Ou seja, nem mesmo na morte, revelamos o que somos de fato. O falso obituário dos jornais incumbe-se de manter o distanciamento necessário da pessoa real. O obituário, que deveria revelar finalmente a pessoa, a mantém, agora, definitivamente distante.
Anna, por sua vez, é fotógrafa especializada em retratos de desconhecidos que ela retrata em grandes closes. Rostos anônimos, mas ela os exibe em grande proximidade, em grandes ampliações. Mesmo com tal exposição ampliada, eles continuam desconhecidos. É uma falsa aproximação. Rostos próximos demais. Tão desconhecidos quanto os das mulheres quando elas se apresentam para os homens que pensam que as vêm por inteiro e acreditam que elas são o que estão vendo.
Larry é medico dermatologista. Perto demais do corpo das pessoas. Próximo da pele. Mas nunca além. O dermatologista se detém na epiderme das pessoas, nunca ultrapassando o limite externo do corpo. Nunca penetrando realmente no âmago do paciente. Sempre na epiderme, nesta exterioridade que nos delimita do interior. Assim será também em seus relacionamentos com o feminino. Nunca indo além da sexualidade explícita. Não é à toa que será ele quem exigirá tudo da stripper. Visão total. Mesmo assim, ele não conseguirá ir além da epiderme ginecológica da mulher.
Jane, por sua vez, é a stripper que se dá totalmente ao olhar masculino. Olhar que nunca consegue ir além do seu corpo em exibição, da sua epiderme. Pertos demais do seu corpo nu, os olhares masculinos estão sempre longe demais dela como mulher. Ela é a que encerra, em sua profissão, o paradoxo dessas relações íntimas que estão sempre à distância. Ela é um “objeto a” por excelência, pois oferece seu corpo como objeto parcial de um desejo nunca realizado.
Jane, desde seu primeiro encontro com Dan, usa um nome falso – Alice Ayres. O relacionamento dos dois já começa com uma Alice que não existe. A primeira frase que ela diz a Dan é: Hello, stranger! (Olá, estranho!).
A cena em que os dos dois homens acessam a internet, numa dessas salas de encontro, e um deles finge ser uma mulher. O namoro virtual logo descamba para uma espécie de sexo virtual. O que mostra que para o homem basta que ele tenha um projeção de mulher em sua mente para que tudo funcione e a relação sexual se faça.
Afinal, tudo não passa mesmo de uma fantasmagoria masculina.
Talvez, a cena em que mais se revele essa fissura entre homem e mulher seja a do clube noturno onde Alice/Jane faz strip-tease.
Essa mulher que se despe completamente para os olhares de estranhos que estariam tão próximos dela, quando se estaria no momento de aproximação máxima, é justamente quando ela fica mais distante, num simulacro inatingível de desejo e de fantasia.
No clube, Larry, pede para vê-la totalmente nua e ainda paga para que ela exiba suas partes íntimas, da maneira mais crua. Aproximação visual máxima que não preenche seus desejos. Ele também paga para que ela lhe revele seu verdadeiro nome. Ela diz. Mas ele pensa que ela mente. Ele nunca saberá o que as mulheres são, portanto, tanto faz seu nome verdadeiro.
Nuas ou perto demais (em closes), elas são sempre invisíveis ao masculino.
Perto demais do feminino é sempre muito longe para o masculino.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Ele olhou para ela com olhar arrependido.
Ela olhou para ele com olhar de compaixão.
Pois ela lhe dera a liberdade. Ele a usou.
Ele odiou que ela lhe libertara, embora tenha resolvido cumprir o contrato.
Ela, de longe, testemunhou.
Duvidava que seria feliz.
Pouco importa.
Ela mantinha, passiva, sua capacidade de amar.
Amava no intransitivo, e por ser assim, poderia continuar sendo feliz.
Ela poderia seguir amando. Como Neruda.
Ele conhecia apenas Vinícius.
Ela era capaz de amar seu scoth como amava o amor de sua vida.
Era única.
Deu-lhe um beijo apaixonado.
Depois, saiu.
Queria seguir sua vida e acendeu um cigarro.
Tomou o último trago e passou pela porta.
Ele a amava como Chico, o Buarque.
Ela o amava como Elis, a Regina.
Ela olhou para ele com olhar de compaixão.
Pois ela lhe dera a liberdade. Ele a usou.
Ele odiou que ela lhe libertara, embora tenha resolvido cumprir o contrato.
Ela, de longe, testemunhou.
Duvidava que seria feliz.
Pouco importa.
Ela mantinha, passiva, sua capacidade de amar.
Amava no intransitivo, e por ser assim, poderia continuar sendo feliz.
Ela poderia seguir amando. Como Neruda.
Ele conhecia apenas Vinícius.
Ela era capaz de amar seu scoth como amava o amor de sua vida.
Era única.
Deu-lhe um beijo apaixonado.
Depois, saiu.
Queria seguir sua vida e acendeu um cigarro.
Tomou o último trago e passou pela porta.
Ele a amava como Chico, o Buarque.
Ela o amava como Elis, a Regina.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Depois de passados alguns dias, impediu-se de ver a realidade.
Disse ser demasiado doloroso pensar naquilo que desejava e não podia ter.
Mudanças soaram difíceis, embora o calor não saísse de seu corpo, por mais que estivesse brindando com um copo de whisky no Alasca.
O homem contou tudo isso, e por mais que viajasse à prazo pro inferno, um dia voltaria.
Precisou viver sua vida. Ter seus filhos. Comer o último pedaço do bolo de aniversário.
Beijou tanto aquela criança que desejou ter uma tão especial.
Isso sim poderia ser classificado como amor, pois não havia ciúmes e nem competição.
Quando o navio aportou no Alasca percebeu que a vela que tanto tentou apagar se tornara fogueira, embora sua vaidade impedisse de assumir para si que precisava mais do que suspeitara.
A paixão voltou a fazer falta em sua vida.
A paixão estava consumindo suas vísceras e não conseguia fugir disso. Mesmo no Alasca.
Mas por enquanto não tinha forças para voltar.
Nem para dizer palavra.
Procurou desviar dos icebergs e em sua cabeça, a lembrança da noite derradeira era tão devastadora quanto a baleia que insistia em brincar com o barco.
Sentiu-se claudicante por negar-se.
Por negar o mais verdadeiro e pulsante em si.
Não imaginou o quanto seu silêncio era devastador.
O quanto apunhalava um coração, golpe a golpe.
Estava no Alasca embora seu sangue implorasse por terras mais quentes. Cálidas.
Precisava sucumbir seu coração ao frio.
Acreditar que comparado à Vinicius, aquilo que sentira fora mais-amor.
Fez um rápido cálculo matemático e percebeu que o futuro estava próximo do presente, e que as palavras do homem em breve se concretizariam.
Estaria no café combinado, às 17 horas, em Marrakesh.
Disse ser demasiado doloroso pensar naquilo que desejava e não podia ter.
Mudanças soaram difíceis, embora o calor não saísse de seu corpo, por mais que estivesse brindando com um copo de whisky no Alasca.
O homem contou tudo isso, e por mais que viajasse à prazo pro inferno, um dia voltaria.
Precisou viver sua vida. Ter seus filhos. Comer o último pedaço do bolo de aniversário.
Beijou tanto aquela criança que desejou ter uma tão especial.
Isso sim poderia ser classificado como amor, pois não havia ciúmes e nem competição.
Quando o navio aportou no Alasca percebeu que a vela que tanto tentou apagar se tornara fogueira, embora sua vaidade impedisse de assumir para si que precisava mais do que suspeitara.
A paixão voltou a fazer falta em sua vida.
A paixão estava consumindo suas vísceras e não conseguia fugir disso. Mesmo no Alasca.
Mas por enquanto não tinha forças para voltar.
Nem para dizer palavra.
Procurou desviar dos icebergs e em sua cabeça, a lembrança da noite derradeira era tão devastadora quanto a baleia que insistia em brincar com o barco.
Sentiu-se claudicante por negar-se.
Por negar o mais verdadeiro e pulsante em si.
Não imaginou o quanto seu silêncio era devastador.
O quanto apunhalava um coração, golpe a golpe.
Estava no Alasca embora seu sangue implorasse por terras mais quentes. Cálidas.
Precisava sucumbir seu coração ao frio.
Acreditar que comparado à Vinicius, aquilo que sentira fora mais-amor.
Fez um rápido cálculo matemático e percebeu que o futuro estava próximo do presente, e que as palavras do homem em breve se concretizariam.
Estaria no café combinado, às 17 horas, em Marrakesh.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Novela também é denso... rs
Tudo na vida passa, porém algumas coisas marcam...
E essas que marcam não podemos simplesmente deixarem passar como se nada tivesse acontecido.
É possível provocar um afastamento dos corpos, todavia as almas não se afastem jamais.
E essas que marcam não podemos simplesmente deixarem passar como se nada tivesse acontecido.
É possível provocar um afastamento dos corpos, todavia as almas não se afastem jamais.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Sobre os desejos para 2010
- ler pelo menos um livro por mês
- encontrar mais as pessoas que pouco vi em 2009
- trabalhar como se fosse um hobby
- fazer aulas de canto
- fazer aulas de dança
- inserir novamente a magia na vida
- tomar menos coca, ainda que light ou zero
- emagrecer
- continuar o caminho que venho trilhando desde o final de 2008
- dar menos importâcia ao passado, viver o presente intensamente e não fazer projetos sólidos demais para o fututo
- começar de uma vez por todas a ticckar a lista de filmes que quero assistir
- encontrar mais as pessoas que pouco vi em 2009
- trabalhar como se fosse um hobby
- fazer aulas de canto
- fazer aulas de dança
- inserir novamente a magia na vida
- tomar menos coca, ainda que light ou zero
- emagrecer
- continuar o caminho que venho trilhando desde o final de 2008
- dar menos importâcia ao passado, viver o presente intensamente e não fazer projetos sólidos demais para o fututo
- começar de uma vez por todas a ticckar a lista de filmes que quero assistir
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Nunca gostou de livros meramente descritivos.
Dizia que eram chatos e que era pura perda de tempo se prender a detalhes que pouco importavam no final das contas, uma vez que história é história.
Levantou-se com uma leve irritação. Mal humor presente.
Lembrou de alguns anos passados, e trouxe os mesmos sorrisos para o presente.
Havia uma música de batidas constantes, com um triângulo batendo no fundo.
Dançou, mesmo sem saber dançar.
Lembrou dos olhos, do sabor de uma dose de whisky cujo gelo já havia derretido, do braço envolvendo a cintura. Do perfume amadeirado que exalava de sua pele,
Dos gestos canhotos que a faziam rodopiar.
Sentira as descobertas do que no futuro fariam suas bases tremerem.
Fora tudo muito leve e muito intenso. As trocas, os sorrisos, as garfadas. Tudo havia se congelado no tempo.
A imagem das pernas cruzadas de forma tão masculina.
O jeito de mexer em seus cabelos, de assoprar em seu ouvido esquerdo.
O jantar estava pronto, porém não foi servido. Estava aguardando as garrafas de vinho tinto se esvaziarem e num momento posterior, os corpos se encherem. De prazer finito.
Era uma despedida. Nunca um adeus.
Sabe-se lá quando essas cenas se tornariam reais. Eram quase oníricas.
Feliz. Demasiada e obcenamente feliz.
O dia amanheceu e com ele as memórias foram guardadas dentro da caixa musicada.
E dia após dia, o que não fora guardado, fora escrito em metáforas.
E o que não foi escrito, foi dito. Entre um chopp e outro, numa esquina que poderia ser uma qualquer, não fosse sua presença.
Seus olhos rodopiaram, e recebeu cada palavra com uma dignidade de poucos. Sim, foi capaz de reconhecer verdade em cada uma delas, e admitiu que já percebera o sentido de tudo aquilo em uma outra ocasião.
Ainda que naquele momento não estivessem prontos, acendeu um cigarro e olhou com uma certa malícia de quem se sente pouco à vontade.
Tomou o último gole, sozinho no fundo do copo, e pediu a nota. Ao chegar no carro, abriu a porta, fez um curto caminho (por que o caminho não poderia ser mais longo?), e despediu-se novamente.
Não era um adeus. Era uma despedida.
Aquela noite foi decisiva. A partir de então pudera ter certeza entre o moral e o profano.
E já havia tomado sua decisão, ainda que os outros a desconhecesse.
Nunca mais pôde evitar dialogar aos 4 ventos, falando consigo, fingindo ter alguém tão próximo.
Havia a barreira da realidade. Aliás, haviam duas realidades, e só foi esse fato que impediu a completa insensatez de sua conduta.
Não sem sanidade, apenas descobrira como não evitar o que era vida.
Logo depois, foi atendida e recebeu alta.
Conhecia mais de si que qualquer um. Nunca mais ignoraria aquelas duras lições de amor, de afeto, de bondade, ainda que se machucasse.
Ainda que para isso precisasse contar à pessoa de quem nunca mais tivera notícia que ela fora traída.
Não por vingança. Por puro desejo de limpar sua trajetória e poder começar do zero.
Sentia tanta falta da família e foi incapaz de fazer aquele telefonema.
Teria que pedir por mais lâminas para analisar sua essência, mas agora estava por conta própria.E saiu radiante com sua mais nova conquista: a identidade.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Entre analisar o tempo e me fazer cientista de minha história,
Descobri coisas maravilhosas que são causas de meus piores pesadelos.
Não sinto mais a ansiedade de outrora, pois descobri meu tempo, meu lugar, meu estilo.
Sou assim mesmo, afirmo e nego os desejos mais intrínsecos.
Quero minh´alma pulsando ritmicamente em sua respiração.
Quero o choro calado da emoção que me impede de dizer o quanto sinto.
Desejo ao longo das 4 estações. Desde já, do recém inaugurado ano NOVO.
Quero florir teu riso e gelar teu pranto.
Aquecendo sua paixão, não importa o quanto tempo o tempo dure.
Sim, eu posso sentir sua entrega quando você a faz. No olhar... no beijo... num simples afago.
Quero te agradecer!
Agradeço tanto sua contribuição por estar tão perto do que eu sou!
Por estar aqui comigo, mesmo em suas ausências...
Porque você rouba alguns de meus mais sublimes sorrisos...
Descobri coisas maravilhosas que são causas de meus piores pesadelos.
Não sinto mais a ansiedade de outrora, pois descobri meu tempo, meu lugar, meu estilo.
Sou assim mesmo, afirmo e nego os desejos mais intrínsecos.
Quero minh´alma pulsando ritmicamente em sua respiração.
Quero o choro calado da emoção que me impede de dizer o quanto sinto.
Desejo ao longo das 4 estações. Desde já, do recém inaugurado ano NOVO.
Quero florir teu riso e gelar teu pranto.
Aquecendo sua paixão, não importa o quanto tempo o tempo dure.
Sim, eu posso sentir sua entrega quando você a faz. No olhar... no beijo... num simples afago.
Quero te agradecer!
Agradeço tanto sua contribuição por estar tão perto do que eu sou!
Por estar aqui comigo, mesmo em suas ausências...
Porque você rouba alguns de meus mais sublimes sorrisos...
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Parece que persegue.
Por mais que corra, o bicho está sempre atrás.
Definitivamente não sei perdoar... Não aprendi esse capítulo cristão!
E nada mais cristão que Natal. Mais humano. Mais depressivo.
Talvez seja por isso que sua presença anda me rondando.
Antes era mais assustadora, devastadora.
Agora, de uma forma mais simples e coloquial, é apenas dolorida.
Dói muito pensar no tanto que me entreguei.
No quanto trocamos distintas formas de intensidade.
Dói pensar, especificamente, no quanto confiei.
Confiei na mesma proporção que confio em mim,
e você sabe o que isso significa (pelo menos, conhece minha prepotência).
Você viu cada lágrima de minha angústia,
enterrou comigo vários cadáveres...
Ouviu minhas mais alegres risadas.
Isso nada importa agora.
Pois você está longe, e é exatamente aí que prefiro que fique.
Você roubou parte de minha fé nas pessoas.
Me fez sentir vergonha de minha generosidade.
Trouxe à tona o pior de mim, e só por isso tenho condições de agradecer.
Se descobri ser feliz com meu pior, imagine só...
***
Agora tudo tem outra forma.
Escolher, e não ser escolhida.
Amar, ainda sem ser amado.
Ser agente ativo.
Mergulhar no mundo, como se ele fosse real.
Sair pela porta dos fundo,
atravessando a sala de queixo pro ar!!!
***
Estou sentindo a felicidade me consumir...
Por mais que corra, o bicho está sempre atrás.
Definitivamente não sei perdoar... Não aprendi esse capítulo cristão!
E nada mais cristão que Natal. Mais humano. Mais depressivo.
Talvez seja por isso que sua presença anda me rondando.
Antes era mais assustadora, devastadora.
Agora, de uma forma mais simples e coloquial, é apenas dolorida.
Dói muito pensar no tanto que me entreguei.
No quanto trocamos distintas formas de intensidade.
Dói pensar, especificamente, no quanto confiei.
Confiei na mesma proporção que confio em mim,
e você sabe o que isso significa (pelo menos, conhece minha prepotência).
Você viu cada lágrima de minha angústia,
enterrou comigo vários cadáveres...
Ouviu minhas mais alegres risadas.
Isso nada importa agora.
Pois você está longe, e é exatamente aí que prefiro que fique.
Você roubou parte de minha fé nas pessoas.
Me fez sentir vergonha de minha generosidade.
Trouxe à tona o pior de mim, e só por isso tenho condições de agradecer.
Se descobri ser feliz com meu pior, imagine só...
***
Agora tudo tem outra forma.
Escolher, e não ser escolhida.
Amar, ainda sem ser amado.
Ser agente ativo.
Mergulhar no mundo, como se ele fosse real.
Sair pela porta dos fundo,
atravessando a sala de queixo pro ar!!!
***
Estou sentindo a felicidade me consumir...
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Black out
Foi só acabar a luz na cidade para minha porção Mac Gyver aflorar... e assim arrombar com um par de grampos uma fechadura que me impedia a liberdade.
Mas a escuridão, ao contrário, não trouxe liberdade e sim aprisionamento.
Aprisionou meus medos numa caverna terrivelmente quieta e escura, como o silêncio que pousava sobre o exterior.
Foi incrível me permitir perigar por entre as curvas da vida.
Deixar o carro andar no automático, sem farol. Sem lei.
O pior foi perceber que só seria possível relaxar e dormir, quando tudo voltasse à agitação.
Mas a escuridão, ao contrário, não trouxe liberdade e sim aprisionamento.
Aprisionou meus medos numa caverna terrivelmente quieta e escura, como o silêncio que pousava sobre o exterior.
Foi incrível me permitir perigar por entre as curvas da vida.
Deixar o carro andar no automático, sem farol. Sem lei.
O pior foi perceber que só seria possível relaxar e dormir, quando tudo voltasse à agitação.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Sobre intensidade instantânea
Hoje me lembrei de um conselho que uma vez dei à uma amiga:
- Fica calma que passa. Acredite que é só uma fase.Tudo passa mesmo. A feridas cicatrizam, a dor some, a saudade morre.
Agora o que importa, de verdade, fica.
E por falar em amiga, ouvi na praia no final de semana passada, um fragmento de conversa entre duas amigas:
"... Esse negócio de amizade intensa, instantânea, nunca dá certo. É só lembrar do caso..."
Realmente, segundo o sábio Dr. Paulo, amigo prá ser amigo, tem que comer um saco de sal junto. De preferência daqueles grandes, de 5 kg.
Essa história de em 5 min transformar um conhecido em amigo de infância não foi feita pra mim.
Quero mandar um salve para meus amigos/as de infância, adolescência, da facu, da vida. Vocês sabem o quanto me importam...
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
DVT
Porque Dita Von Teese é linda, sensual, delicada e fatal, além de criar um ambiente glam e misterioso!
Volte logo! Volte sempre!
Volte logo! Volte sempre!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Capa da Playboy
Para comemorar os 20 anos da série de desenhos animados (?), Marge Simpson, isso mesmo, a sra. Simpson sairá nua, (ou pelo menos quase), no mês que vem.
Ótima paródia...
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Creme Brullée

Ingredientes
5 gemas
1/3 xícara (chá) de açúcar
350 ml de creme de leite fresco
100 ml de leite
1 1/2 colher (chá) de essência de baunilha
açúcar para caramelizar
Modo de Preparo
1. Preaqueça o forno a 160°C (temperatura média-baixa).
2. Separe as claras das gemas. (As claras não serão utilizadas nesta receita, mas você pode guardá-las para preparar um pudim de claras.)
3. Coloque as gemas na tigela pequena da batedeira. Junte o açúcar e bata em velocidade alta até obter um creme bem claro.
4. Pare de bater e adicione o creme de leite, o leite e a essência de baunilha. Misture bem com uma colher. Deixe a mistura descansar por 10 minutos. Enquanto isso, leve uma panela com água ao fogo alto. Ela será usada para o banho-maria.
5. Com uma colher, retire toda a espuma que se formou na superfície da mistura de gemas. Distribua o creme entre seis tigelinhas refratárias (que possam ir ao forno) - podem ser ramequins, aquelas forminhas de suflê.
6. Arrume as tigelinhas numa assadeira retangular. Leve a assadeira ao forno e, antes de fechar a porta, coloque água fervendo na assadeira, com cuidado, para assar em banho-maria. Deixe assar por 40 minutos.
7. Retire a assadeira do forno e as tigelinhas do banho-maria. Deixe esfriar e leve à geladeira por no mínimo 6 horas.
8. No momento de servir, polvilhe açúcar sobre toda a superfície do creme.
9. Queime com maçarico até caramelizar o açúcar.
10. Sirva!!!
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Eu te odeio.
E nada, NADA pode mudar isso.
De nada me serve tua poesia,
que tenta dar conta do que você é,
que eu também odeio.
Odeio sua não-autenticidade,
em querer sempre representar aquilo que não é e não será.
Odeio em ti ser lobo em pele de cordeiro.
Ou de se fazer de lobo, com voz de cordeiro.
Odeio suas crenças, e me odeio por um dia crer com você.
No fundo,
Odeio a parte em mim que um dia te amou.
Porque você PRECISA saber disso, senão nada teria sentido,
Nem pra mim, nem prá ti.
Continuei sendo o melhor de mim, e sei que você também deu o máximo de si,
Mas caímos cada um no seu engodo,
Cada um patinando na sua lama...
E nada, NADA pode mudar isso.
De nada me serve tua poesia,
que tenta dar conta do que você é,
que eu também odeio.
Odeio sua não-autenticidade,
em querer sempre representar aquilo que não é e não será.
Odeio em ti ser lobo em pele de cordeiro.
Ou de se fazer de lobo, com voz de cordeiro.
Odeio suas crenças, e me odeio por um dia crer com você.
No fundo,
Odeio a parte em mim que um dia te amou.
Porque você PRECISA saber disso, senão nada teria sentido,
Nem pra mim, nem prá ti.
Continuei sendo o melhor de mim, e sei que você também deu o máximo de si,
Mas caímos cada um no seu engodo,
Cada um patinando na sua lama...
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Eu gosto

- turbantes
- esmaltes em todas as nuances de vermelho
- chapéu, qto mais retrô, melhor
- luvas
- salto alto, mesmo não usando
- preto, branco, cinza mescla e bege
- japonismo
- ladrilho hidráulico
- branco, cinza mescla, preto e bege
- óculos de sol (é um fetiche)
- desenhos em aquarela
- desenhos em nanquim
- moulage
- Le Corbusier, Eames, Saarinen, Jacobsen
- Vionnet, Lanvin, Matisse, Gaugin
- PT Cruiser, Soul, TR4
- copo-de-leite, bico-de-papagaio, stelitzia, girassol, flo-do-campo
- mosaico, faiança, murano
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
O jeito como eu sou - Clarice Lispector
É curioso como não sei
dizer quem sou.
Quer dizer, sei-o bem,
mas não posso dizer.
Sobretudo tenho medo
De dizer porque no momento
em que tento falar não só não exprimo
o que sinto como o que sinto se transforma
lentamente no que eu digo...
Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa
ou forte como uma ventania,
depende de quando
e como você me vê passar.
Não me dêem fórmulas certas,
porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim,
Porque vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual,
porque sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma,
mas com certeza não serei
a mesma pra sempre.
dizer quem sou.
Quer dizer, sei-o bem,
mas não posso dizer.
Sobretudo tenho medo
De dizer porque no momento
em que tento falar não só não exprimo
o que sinto como o que sinto se transforma
lentamente no que eu digo...
Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa
ou forte como uma ventania,
depende de quando
e como você me vê passar.
Não me dêem fórmulas certas,
porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim,
Porque vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual,
porque sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma,
mas com certeza não serei
a mesma pra sempre.
domingo, 6 de setembro de 2009

Há tanta topologia em mim, que já nem sei mais se sou vulcão ou geiser.
Se sou nascente ou rio em curso.
Há algo que é fora e superficial, latente e intenso.
Não sei se sou o peixe ou o aquário.
Posso ser o mel ou o Zé Colméia...
Me perder sabendo onde estou e pra onde vou.
Sou Vesúvio e Dilúvio.
Sujeita a maremotos.
Sou também a areia moldada, na beira de uma praia de pedras.
Mutante e mudada.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Partida
E então ele precisou lidar com mortos para reconhecer em si a intensidade da vida. Limpar seus corpos, arrumá-los para a vida e-terna. Com um cuidado e dignidade de poucos.
Eu precisei ressussitar alguns zumbis que enterrei, trazer à vida e então decidir o que fazer com as sobras, com os restos. Doloroso e aliviante.
É claro que nos pormenores, isso passa desapercebido, mas não pra você que vive comigo minhas maiores angústias, ainda que não anuncie saber.
Nunca para você, que me reconhece antes de mim mesma. Nunca prá você que faz o melhor arroz do mundo...
Sim, eu sou uma mulher de sorte!
Aliás, não de sorte, reconhecida!
Eu precisei ressussitar alguns zumbis que enterrei, trazer à vida e então decidir o que fazer com as sobras, com os restos. Doloroso e aliviante.
É claro que nos pormenores, isso passa desapercebido, mas não pra você que vive comigo minhas maiores angústias, ainda que não anuncie saber.
Nunca para você, que me reconhece antes de mim mesma. Nunca prá você que faz o melhor arroz do mundo...
Sim, eu sou uma mulher de sorte!
Aliás, não de sorte, reconhecida!
sábado, 22 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Porque eu tinha que ficar quieta, bem quieta.
Porque descobri que amo o jogo da verdade, mais o jogo do que a verdade.
Porque Freud já se preocupava com as fixações e traumas antes de mim.
Porque mudaram o cardápio do motel e nem nos consultaram.
Porque uma hora quero vaca, outra hora quero persa.
Porque o dentista quis me tirar a cutícula e fiquei com medo.
Porque só vou prá Paris com hora marcada.
Porque lasanha engorda e alface emagrece.
Porque se o the bodies não for blue, com certeza será rosa.
Porque não há garantia, nenhuma... e nem sempre confiro o troco.
Porque a gasolina sobe, o pão sobe, o dolar desce...
Porque só Deus sabe o quanto tempo perdi com besteiras.
Porque o paradoxo está em não se conhecer e por isso sofrer.
Porque essa hipérbole em mim não é só de fachada.
Porque não escrevo pra você entender, mas se entender, fico feliz.
Porque meu maior desejo hoje é não desejar nada.
Porque descobri que amo o jogo da verdade, mais o jogo do que a verdade.
Porque Freud já se preocupava com as fixações e traumas antes de mim.
Porque mudaram o cardápio do motel e nem nos consultaram.
Porque uma hora quero vaca, outra hora quero persa.
Porque o dentista quis me tirar a cutícula e fiquei com medo.
Porque só vou prá Paris com hora marcada.
Porque lasanha engorda e alface emagrece.
Porque se o the bodies não for blue, com certeza será rosa.
Porque não há garantia, nenhuma... e nem sempre confiro o troco.
Porque a gasolina sobe, o pão sobe, o dolar desce...
Porque só Deus sabe o quanto tempo perdi com besteiras.
Porque o paradoxo está em não se conhecer e por isso sofrer.
Porque essa hipérbole em mim não é só de fachada.
Porque não escrevo pra você entender, mas se entender, fico feliz.
Porque meu maior desejo hoje é não desejar nada.
sábado, 8 de agosto de 2009

1) Ser quente ou ser frio, nunca MORNO.
2) Ser eternamente responsável por aquilo que cativar.
3) Pink Floyd.
4) Ser a causa do teu prórpio destino.
5) Vinícius de Moraes.
6) Dizer eu te amo. And mean it, claro.
7) Dizer o que se pensa.
8) Saber perdoar. (e principalmente a SE perdoar).
9) Jazz, blues e rock and roll.
10) Olhar, sentir, e acertar.
11) Mais Vinícius.
12) Brincar com crianças, como uma.
13) Trazer poesia para a prosa da vida.
14) Mandar flores!
15) Escrever cartões.
16) Julgar a própria companhia como a melhor de todas.
17) Fazer loucurinhas necessárias de vez em quando.
18) Nunca abrir mão da ética pessoal.
19) Ir a um karaoke!
20) Ser feliz!!!!!!!!!!!
terça-feira, 28 de julho de 2009

Hoje acordei sentindo o cheiro do passado.
Cada vez mais presente, mais intenso e incomodado.
Nossos olhos se cruzaram e não restou mais nada.
Nada além do que é saudade.
Vi através de teu sorriso disfarçado quanta falta faço.
Através de teu passo calado o quanto não foi fácil.
Não foi prá mim. Não foi prá ti.
E não há um só silêncio calado,
que não penso em teu abraço.
No quanto há de demasiado espaço,
(sim há muito espaço, a ser acalorado)
Mais um dia e entro em seu retrato,
quem sabe lá há mais chances de reparo!
Afinal, tudo foi mal executado.
Mas deixemos isso de lado,
Sepultado, como um segredo do passado.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
Dia do Amigo

Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!
Vinícius de Moraes
Uma homenagem a todos os meus amigos, até mesmo àqueles que ainda não conheci!
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terça-feira, 7 de julho de 2009
Coisas que a vida ensina

Amor não se implora, não se pede, não se espera...
Amor se vive ou não.
Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você.
Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus para
mostrar ao homem o que é fidelidade.
Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz.
As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros.
Perdoar e esquecer nos torna mais jovens.
Água é um santo remédio.
Deus inventou o choro para o homem não explodir.
Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso.
Não existe comida ruim, existe comida mal temperada.
A criatividade caminha junto com a falta de grana.
Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.
Amigos de verdade nunca te abandonam.
O carinho é a melhor arma contra o ódio.
As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
Há poesia em toda a criação divina.
Deus é o maior poeta de todos os tempos.
A música é a sobremesa da vida.
Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças a cerca de suas ações.
Obrigada, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que
abrem portas para uma vida melhor
O amor... Ah, o amor...
O amor quebra barreiras, une facções, destrói preconceitos,
cura doenças...
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama é muito amado.
E vive a vida mais alegremente...
Artur da Távola
terça-feira, 16 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Silêncio

Ela passou pelas duas portas que abafavam a passagem do som, do choro.
E naquele exato momento percebeu que o silêncio gritava em sua alma.
Por que nunca encontrava uma porta para calar seus pensamentos?
Saiu com lágrimas nos olhos, quase tímida em acenar para a pessoa que aguardava na sala de espera.
Engoliu seu pranto.
Só na calçada, longe dos olhos de qualquer conhecido, sua angústia urrou.
No silêncio, até ser aliviada...
Fazia algum tempo que não precisava de um café quente como naquele momento.
Tinha a segurança de saber quem era essa que sorria para ela pelo retrovisor,
e a curiosidade em conhecer seus próprios limites.
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terça-feira, 5 de maio de 2009

Vários mundo já se passaram por estes pés cansados.
Tantos bois marcados.
Tanta saudades lá prá frente.
Tanta grama deixada pelo caminho.
O caminho todo percorrido e tão pouco evitado.
E a viola descansando no chão da sala.
O chão dos amantes de outrora.
Personagens de uma força-ingenuidade.
Onde a bruxa é bruxa,
e o cobrador sempre volta na semana seguinte.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Tráfegos

Pare de esperar a
a lei acontecer.
Pare de esperar o fardo
ser aliviado.
Atravesse a rua.
Sacuda o corpo.
Há saudade,
não há nostalgia.
Há trânsito na contra-mão.
Há sinais fechados.
Há lombadas eletrônicas.
Desacato à autoridade.
Não tem saída.
Não tem brecha.
Vai pintar smepre uma bifurcação.
Não tem jeito.
Em volta do buraco, tudo é beira.
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quinta-feira, 2 de abril de 2009
Movimentos

Ontem a lua estava brilhante e crescente, de repente puft... ela sumiu.
Lembrei que uma lua não some simplesmente, pois mesmo durante o dia ela está lá.
Somos nós que não a vemos... Nosso PONTO DE VISTA não nos permite vislumbrá-la durante o período diurno, e sempre a vemos de um mesmo ângulo, o que já levou alguns místicos a criar uma teoria do lado obscuro da lua...
Já dizia Hermes Trimegistro que TUDO TEM O OUTRO LADO... Que todas as verdades dão meias-verdades, opostos só se diferenciam em graus de uma mesma essência...
***
Sempre entendi eclipses como um grandioso truque da natureza...
A lua está lá, toda bela... e como num passe mágico, ops... não está mais... para logo na sequência reaparecer.
Além disso, ela regula as marés, os CICLOS femininos, há quem diga que existe relação entre a lua e o sexo dos bebês, sobre colheitas, na medicina, etc.
***
Como a lua, a vida é cheia de movimentos e ciclos. Cheia de crescentes, novas, minguantes e cheias.
Cheia de constantes variáveis, roda-gigante repetitiva, estou farta disso.
Estou farta também de falsas absências, de atrasos propositais, prorrogações, indefinição e grosserias descabidas.
quarta-feira, 11 de março de 2009

Lembrei daqueles barcos que outrora vimos em alto-mar,
os pescadores recolhendo suas redes,
buscando sustento na natureza.
E das palavras do homem de ontem,
que ensinava o quanto o Outro é falho.
O quanto o Outro não é garantia nenhuma.
Pensei em momentos de cumplicidade...
No quanto algumas parcerias são efêmeras.
No tanto que já basta de redes rasgadas por onde peixes escapam.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Entrou e uma poltrona lhe foi indicada para sentar.
Lembrou seus dias, suas inquietações e amor.
Lembrou-se que era época de folia, de alegria, festa da carne?
E sendo festa, pra que usar máscaras? Por que usar um corpo que não o seu?
Fantasias? Estas rasgou, com prazer inigualável... deixou para trás, sem dor...
Soube afirmar seus desejos, soube afirmar sua negação... e isso interrompeu um dominó em decadência.
A queda de um castelo de cartas.
Aprendeu, como tantas outras coisas, a ouvir seu instinto, a segui-lo e a manter a chama acesa.
Não era um caminho fácil, mas com certeza era o mais vivo.
Lembrou-se da roda-gigante de outrora.
O panorama visto de cima é mais amplo, ainda que distante.
Mas é na vertical que a vista se torna mais real.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Espelhos

Olho em mim o direito do avesso,
um espelho paralelo, sem imagens infinitas.
Vejo na cabeceira vários tomos de um livro sem fim...
Encontro o amor, brincando de esconde-esconde na pilastra da mágoa.
Ele foi achado pela saudade.
Brindado pelo carinho.
Por corpos que se acariciam, se desejam e se ferem.
Agora o espelho reflete almas sem selvageria.
Centradas em si, cuidando da superação.
Rasgando fantasias inúteis, dolorosas, repetidas.
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Aos fogos

Quando todos os fogos queimarem quero sentir meu coração pulsar de amor.
E se assim não for,
quero que aquilo que seja, seja intenso.
Quando os primeiros raios do novo ano se lançarem aos céus,
quero um revestimento de novas esperanças, ainda que antigas.
Quero atingir ao máximo do meu existir,
a adrenalina da pura vida.
A passagem de ida,
do viajante sem certo destino.
Elos que façam sentido.
Sem soldas reforçadas.
Sem necessidade do amiúde.
Com explosões e fagulhas.
Com brilho e cor.
Com calor e luz.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Uma xícara de café e duas doses de Nietzsche

"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: essa vida, assim como tu a vives agora e como a viveste, terá de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida haverão de retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência..."
"Minha fórmula para a grandeza no homem é o amor fati: nada querer diferente, seja para trás, seja para frente, seja em toda a eternidade. Não apenas suportar o necessário, menos ainda ocultá-lo - todo o idealismo é mendacidade ante o necessário - mas amá-lo."
O
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Anywhere between heaven and hell...
Não acredito em poucas palavras, nem no silêncio de duas almas inquietas, nem mesmo na fala que muito diz e nada quer dizer.
Assim como não acredito em céu e inferno, em fantasmas (prefiro apostar em fantasias), em Deus ou Diabo. Cavalos-alados, dragões, mitos.
Estou descrente numa porção do humano que nunca quis enxergar. (Por querer bem demais?)
Entre faixas de sintonias energéticas, onde a inércia é ativa, provocadora, por vezes ultrajante.
Entre o céu e o inferno, seja lá onde isso for. Só sei que é fora.
Não encontro a generosidade de outrora, o astral colorido de Amélie Poulain, a dignidade de enxergar adversidade no amor, o amor incondicional.
Não percebo a sutil diferença que pode existir entre uma "gongada" sofisticada e um exercício de querer-bem.
Meus olhos estão cerrados.
Meu coração está com a capacidade de amar em lotação.
Meu abdômen tenta segurar algo que lhe escapa.
Enquantos meus braços fortalecem seus abraços.
Meus ouvidos calaram a voz da soberania.
Assim como não acredito em céu e inferno, em fantasmas (prefiro apostar em fantasias), em Deus ou Diabo. Cavalos-alados, dragões, mitos.
Estou descrente numa porção do humano que nunca quis enxergar. (Por querer bem demais?)
Entre faixas de sintonias energéticas, onde a inércia é ativa, provocadora, por vezes ultrajante.
Entre o céu e o inferno, seja lá onde isso for. Só sei que é fora.
Não encontro a generosidade de outrora, o astral colorido de Amélie Poulain, a dignidade de enxergar adversidade no amor, o amor incondicional.
Não percebo a sutil diferença que pode existir entre uma "gongada" sofisticada e um exercício de querer-bem.
Meus olhos estão cerrados.
Meu coração está com a capacidade de amar em lotação.
Meu abdômen tenta segurar algo que lhe escapa.
Enquantos meus braços fortalecem seus abraços.
Meus ouvidos calaram a voz da soberania.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Dama Soturna

Vestia um tubinho branco, na altura dos joelhos, bem acinturado.
Usava no cabelo um coque tipo banana, com uma presilha de borboleta incrustada de pequenas pedras coloridas.
Exalava um perfume, e era chamada de dama-da-noite...
Era justamente durante a noite que seu outro lado aparecia.
Era durante a noite que seus pesadelos mais temidos eram-lhe revelados e como defesa, atingia ao mundo com seu poderoso perfume.
Era atravessando a madrugada que a dama tornava-se mais e mais conhecida de si mesma, e daquele casal de pedestres que por ali passava com frequência.
Seu destino era incógnito, e assim feliz vivia.
Viva na comédia e no drama de sua existência.
Dividida entre a prosa e a poesia.
No seu egoísmo em se fazer bela, em seu altruísmo em distribuir seu perfume,
Só havia um destino possível: seguir adiante...
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
SOBRE O FEMININO OU ALGUMAS CONSIDERÇÕES SOBRE O NÃO-SER MULHER

Ao longo de sua obra, Freud aponta a diferenciação sexual muito além da anatômica, mas que essa se dá a nível inconsciente. Na perspectiva freudiana, nenhum sujeito é detentor de uma especificidade puramente feminina ou masculina.
O complexo de Édipo consiste numa ambígua relação de sentimentos de amor e ódio em relação à mãe. O menino, amando a mãe, percebendo-a castrada, e com medo que o mesmo aconteça a ele, volta às costas ao complexo de Édipo em busca de um novo objeto amoroso.
Já a menina, entra no Édipo pela mesma via que o menino sai. Ela decepciona-se com a mãe, por não ter dado a ela um pênis e vai de encontro ao pai em busca de um filho para dar lugar ao seu falo.
O complexo de Édipo, como saída da criança frente à castração, tem como objetivo que a criança assuma o falo como significante, e de uma maneira que faça dele instrumento da ordem simbólica das trocas. Assim, permitindo a ela não apenas ser conduzida a uma escolha objetal, como uma escolha objetal heterossexual. E ainda, que se situe nesta escolha corretamente em relação à função do pai .
A metáfora paterna opera de forma a recalcar um significante primeiro (desejo da mãe), dando lugar ao significante Nome-Do-Pai, permitindo assim à criança todas as substituições (ou escolhas) possíveis na cadeia significante, desta forma, é inscrita na linguagem.
Temos aqui o falo como determinante enquanto função para a formação da sexualidade, ainda na idade infantil.
Mas de que se trata esta escolha?
O que é ser homem ou ser mulher?
A problemática se inicia a partir do momento em que o simbólico é fálico, portanto não existe inscrição do feminino no inconsciente. Lacan diz: “A mulher não existe” (L/a femme), isto quer dizer que não existe o significante da identidade feminina (S (A)). A mulher deve ser tomada uma a uma, pois não há significante prévio que a funde como mulher, como acontece no habitante do campo masculino. É uma lógica para-além do falo, uma lógica do Outro.
A saída feminina é apostar num semblent de fálica, no uso de uma máscara de quem se reconhece castrada, porém não se apresenta ao Outro como tal, daí uma lógica para-além do falo, uma lógica do Outro. Semblent enquanto véu em frente ao Real, protegendo o sujeito do gozo.
Novamente, o que quer uma mulher?
Uma mulher quer ser desejada, ou em outras palavras, quer ser causa de desejo de um homem, homem este, que em seus devaneios, busca feitos heróicos e trunfos com a finalidade de agradar uma mulher, para que ela o prefira aos outros homens. O homem está afetado/implicado com a questão do feminino por também querer saber o que é uma mulher/ o que quer uma mulher.
O feminino não existe como única saída frente à deparação da castração e suas implicações da mulher. Ele existe, não como regra, ou matema de definição. Mas como um vir a ser, um tornar-se mulher.
Tornar-se mulher passa por seu romance familiar, sua relação posterior à Mãe e ao Pai, à disputa/ rivalidade feminina (uma forma de fantasia histérica que aponta numa relação de bissexualidade, como podemos ver claramente no caso Dora e sua relação de amor com a Sra. K.) , suas futuras escolhas amorosas e muitos outros aspectos.
O novo filme de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, a começar pelo próprio título, evoca as vias do desejo feminino e como cada mulher da trama vivencia com o seu objeto amoroso suas posições em relação ao próprio desejo, ilustrando com maestria como o ser mulher é percebido no caso a caso.
O filme trata da história de duas jovens americanas, Vicky e Cristina, que viajam a Barcelona para passar o verão. Lá, se envolvem com Juan Antonio, um pintor ainda ligado à sua ex-mulher, Maria Elena.
Vicky, a boa-moça que se deixa levar pelos acontecimentos da viagem, que nunca sabe o que quer, apenas o que não quer/ não espera de um relacionamento, envolve-se com Juan Antonio, que ainda apaixonado por sua ex-mulher Maria Elena propõe uma relação triangular.
Cristina, que vai a Barcelona para estudar para sua tese de mestrado está noiva de um empresário em Nova Iorque, mas acaba se entregando aos braços do mesmo Juan, apesar de suas relutâncias racionais e idealizações obsessivas em querer controlar o desfile de seu desejo.
Juan é o homem que direta ou indiretamente afeta a cada uma das mulheres do filme com seu jeito sedutor, quase um Don Juan, alma de artista que sabe diferenciar o ser mulher de cada uma de suas conquistas, na individualidade do caso a caso do ser mulher.
Maria Elena, interpretada por Penélope Cruz, é a típica mulher à beira de um ataque de nervos, mostrando toda histeria e loucura na relação amorosa com Juan.
Há ainda Judd e Mark, o casal anfitrião das jovens em Barcelona. Judd tem um caso extraconjugal há algum tempo, mas tem como certo não separar-se de Mark, restando a ela estimular Vicky a largar seu noivado em troca de sua paixão por Juan, como uma forma de realizar seu próprio desejo.
De uma forma leve e engraçada, Woody Allen consegue tramar todas as mulheres em torno de um mesmo homem, e como cada uma se afeta de uma forma em relação à sua subjetividade de amar.
Seja no medo em assumir o próprio desejo, seja testando formas inusitadas de dividir um homem (pela loucura ou pela aventura), seja em assumir o objeto de desejo como impossível, ou então, seja projetando na outra mulher uma possibilidade de realizar o amor, o fato é que nem mesmo nós mulheres histéricas sabemos o que realmente quer uma mulher.
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
...

Não é possível todo o tempo,
Leal,
Real,
Amiga,
Amor
Eu mesma.
Nem presença,
Nem ausência.
Nem raiva,
Nem amor.
Há sentimento,
Malícia, Vida,
Compreensão e
Superação.
Mas não é possível todo o tempo.
Sem pressa,
Sem ansiedade.
O tempo que leva
é o tempo que traz.
Quando se sabe que não é possível o tempo todo.
E que bom que assim não é.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
A realidade de um castelo imaginário, ou como construir vida no real

Nunca é tempo demais para elaboração, em vista panorâmica.
Sempre é tempo demais pra se comunicar quem se é.
A lua alta em terceiro ciclo comunica o amor em mutação.
A maré acusa movimentos naturais.
O corpo é maré, e também o é seus fluídos, entre indas e vindas.
Ressacas, batimentos em pedras e descansos na areia.
Fluxos exaltados, fluxos parados, ainda que estejam gritando em calar.
Uma gota de chuva cai, marcando a areia onde a criança constrói seu forte.
E ela insiste em almofadar a terra, torneando-a como aprendeu com os apaches.
E reconstroe sua força lúdica, fortaleza. Real.
Ela se distrai e enfrenta tudo que seja terra, mar, sol, chuva, suor.
Não há mais conflitos.
A voz da criança se cala por que não é mais necessário o som que não seja o do vento.
E passa horas entretida em sua história, que é tão ou mais real que os banhistas que a cercam.
Não vê o tempo passar e não conta com marcadores de tempo.
Seu dinamismo dura o tempo que durar, assim como o amor daqueles amantes que admiram a lua em terceiro ciclo.
Assim como o inverno, que dura o tempo suficiente para permitir às flores mais um colorido.
Ou como a chuva, que cai até que se faça sol novamente.
Sem preocupações de porquês, sem indagações de quando ou sem querer medir o poder do amanhã.
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